Repouso o olhar sobre o outeiro que cobre
a frente da casa onde inventávamos nomes
para as coisas de que nunca tínhamos ouvido falar.
Onde os nossos vestidos de linho pareciam guardar
o tempo e as saias rodadas espalhavam os segundos
aleatoriamente nos pequenos rodopios com aroma
de arando e outros frutos silvestres.
As rendas, os laços brancos e as fitas do cabelo
dentro das fotos antigas recordam-nos hoje
o cheiro da terra seca, os bichos da manhã
e o leve embaraço dos ponteiros a cada dia.
Segunda-feira, Março 09, 2009
Sépia
Por Sara F. às 15:15 5 comentários
Sexta-feira, Março 06, 2009
Em profundidade
Acontece, por vezes, as gotas de Inverno
molharem-me as costas logo pela manhã.
A sensação do arrepio e o contraste
da tua mão contra elas - o degelo em jeito
de aquecimento global, particular
daquele instante em que, inversamente,
os icebergues têm apenas um terço de si
submerso e o restante corpo à vista.
Por Sara F. às 10:56 3 comentários
Ciranda
Já é tempo de reavivar este Vermelho.
Respondo, portanto, ao desafio da Whyme: convite para cirandar.
Cirandemos, pois, então:
Agarrar o livro mais próximo: A Espuma dos Dias, Boris Vian.
Abri-lo na página 161: (Está-se no Capítulo XLVIII - pertinho do fim)
Procurar a 5ª frase completa: «Situados em locais escolhidos, longos jactos de essências cheios de reflexos brilhantes cruzavam obliquamente a sala e purificavam a atmosfera condensando à sua volta fumos, poeiras de metal e óleo quente que subiam em colunas rectas e esguias por cima de cada máquina.» (trad. Aníbal Fernandes)
Passar a cinco pessoas: Passarei, com gosto, aos que quiserem entrar na roda.
Por Sara F. às 10:19 2 comentários
