Segunda-feira, Março 09, 2009

Sépia

Repouso o olhar sobre o outeiro que cobre
a frente da casa onde inventávamos nomes
para as coisas de que nunca tínhamos ouvido falar.
Onde os nossos vestidos de linho pareciam guardar
o tempo e as saias rodadas espalhavam os segundos
aleatoriamente nos pequenos rodopios com aroma
de arando e outros frutos silvestres.
As rendas, os laços brancos e as fitas do cabelo
dentro das fotos antigas recordam-nos hoje
o cheiro da terra seca, os bichos da manhã
e o leve embaraço dos ponteiros a cada dia.

5 comentários:

Graça Pires disse...

Inventar nomes para as coisas.
Recordar a terra seca e "o leve embaraço dos ponteiros a cada dia".
Muito belo, Sara. Um beijo.

Licínia Quitério disse...

Foi um prazer encontrar este seu blog. Parabéns pela qualidade da escrita.

Sara F. disse...

Obrigada, Graça. Um beijinho para si também e, apesar da ausência de comentário, tenho passado assiduamente pelo Ortografia do Olhar (que é sempre um prazer).

Licínia, fiz uma breve visita pelo seu blogue, com tempo explorá-lo-ei melhor. Obrigada e até breve.

A.S. disse...

Por detrás desse olhar
reticente
acentuam-se as arestas
de um tempo que passa
indiferente...

Escurece,
como um violino que anoitece...


Um beijo!

MADRUGADA... disse...

poema muito bem conseguido.