Atravessas a rua
de mãos esquecidas nos bolsos.
Caminhas, de golas levantadas,
olhas o passeio de rosto impenetrável.
O vento alcança-te os passos e
quase roça a bainha do sobretudo preto.
Sentes que algo te puxa para ficar.
As pedras do passeio alongam-se
em estreitas linhas que te fazem lembrar
o céu dilacerante de Abril.
Cerras os punhos sob o tecido espesso
e o sangue aflui-te vibrante
nas artérias entupidas de palavras.
Desejas ter dito o que o silêncio
te fez assomar ao peito apertado
em linhas de nylon inquebrável.
Não olhas para trás
mesmo quando o vento te murmura ao ouvido
as frases dos Clássicos que abandonaste
nos muros das casas por onde te desenhas
e onde foste deixando folhas caídas e
camas vazias, sem peso.
Os contornos das esquinas trazem-te de volta.
As origens são reais e perdes-te na sombra.
Representas os desejos de um homem
que ainda acredita ser possível voltar
e acredita sobretudo no poder dos acasos felizes
assim como na boa ventura das horas que passam
devagar, ao longo dos passeios por onde
ainda se perdem e encontram desconhecidos.
Segunda-feira, Maio 12, 2008
Ruas de Dezembro
Por Sara F. às 17:03
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4 comentários:
Foi bom passar por aqui...gostei do poema. Beijo
"Não olhas para trás
mesmo quando o vento te murmura ao ouvido as frases dos Clássicos que abandonaste nos muros das casas por onde te desenhas"
Um poema conseguido. Gostei. Um beijo Sara.
Sara, já estamos em Julho... As ruas de Dezembro estão vazias...
Um beijo.
Desejo que o ano de 2009 seja um Ano Bom com a realização dos teus sonhos.
Um beijo.
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