Era esta a relva onde nos dias quentes
estendíamos a toalha cor-de-rosa e
nos deitávamos junto às árvores mais altas
imaginando para elas histórias e futuros.
Continua verde e fresca como nos dias em que
nos abrigávamos por horas sob a brisa
de verão ao longo das estações.
As árvores, um pouco mais velhas,
e como elas nós também, continuam a abraçar,
com o seu emaranhado de troncos nus,
o manto prateado que brilha de frente
para as janelas, por entre cujas cortinas
adivinhávamos vidas iguais às nossas,
sob as mesmas árvores, diante o mesmo rio.
Recordo neste sítio, onde hoje outros se deitam,
as palavras que cravámos nos troncos
e que ainda ecoam em mim como uma espécie
de halo luminoso em torno dos dias.
Terça-feira, Julho 31, 2007
Histórias e futuros
Por Sara F. às 18:36 0 comentários
Terça-feira, Julho 03, 2007
Desassossego
Tenho em mim toda a dor do universo.
Mácula de gerações infernais de fogo nos punhos
cravado a ferro e alicerces de metal pouco nobre.
Vejo um futuro envidraçado, vestido de negro
onde outrora linhas brancas envolviam sorrisos
de meninos crescidos à força, agarrados pela corda
de um pião em torno de um foco de luz baça.
Perdi, por entre fugas, o tempo que me deram.
Fiz dele sorte nula de uma alma que não dorme
desassossegada por sonhos perenes caídos
junto do seio gelado de horas demoradas.
Humanidade que não se compraz em esperas.
Prantos de voz lânguida trespassam o limite do som.
Adiantarei talvez os ponteiros para chegar mais cedo.
Tenho em mim toda a dor do Universo.
Tentarei fazê-la frutificar.
Por Sara F. às 15:48 4 comentários
