Gastei a sola dos sapatos que trago
nas vezes que percorri a estrada
de casa até aqui.
Sinto a agudeza do chão e as pedras
pela superfície enfraquecida
de um couro velho já fraco.
Mas chego, enfim
ao banco de cimento frio
como o que me toca os pés.
Agarro a aspereza do assento
coberto de folhas caídas de mim.
Torno, então, ao sítio
de onde não cheguei a sair
no dia anterior.
Pelas marcas na terra
do lado esquerdo do banco
dir-se-ia que dormi ali
mesmo quando em casa
me lembrava dos dedos
enterrados na areia fria.
Elevo às pálpebras
as mãos sujas
e o tempo condensa-se
em flashes nocturnos
de segundos e minutos
alongados paralelamente
sobre o chão.
Hoje ficarei por aqui.
Terça-feira, Abril 17, 2007
Paralelos
Por Sara F. às 14:46 3 comentários
Segunda-feira, Abril 16, 2007
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