Segunda-feira, Fevereiro 26, 2007

Poema(s) solto(s)

As emoções abandonaram o meu corpo por instantes.

Sequei os contornos da língua com silêncio.

Uma janela sem o lado de lá.

Pianos soavam.

O contacto visual e o som.

O som da chuva e o piano.

Dentro de mim.

Debaixo dos dedos.

.

Irregularly, it rains over your feet.
But the rainbow comes everyday.
From within.

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Rotas

Geometricamente dispostas
ao longo da estrada curvilínea,
as árvores pareciam marcar uma rota,
mostrando um caminho.
Bravas, altas do tamanho do sonho
lado a lado levavam-me para o âmago
de brisas étereas de estradas
suavemente longas.
Duradouras profetas dançando ao vento.
O mesmo que, perdendo-me nelas,
me lavava o rosto.

Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

.

Laranjeiras em flor.
Um dia de sol e um sorriso
nos teus lábios.

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Os dias

O murmúrio das horas que passam
deixa para trás as sombras indefinidas
de tempos sem pressa esquecidos
na mácula dos segundos
que me percorrem o corpo.
Crepitar de astros celestiais.
As estrelas cadentes
assomando ao céu
nas límpidas auroras de Verão.
Os dias.
Diamantes a escorrer
pelas paredes adornadas de negro
nas noites dos homens.

Sábado, Fevereiro 03, 2007

Buraco Negro

Um buraco negro.
Nada no meio.
Só o vazio enche
o espaço da poeira
que me cega.
Sinto-me luz.
Sugada para o interior
da espiral do tempo.
Sem espaço.
Acção.
Abro os braços.
As pontas dos dedos
tocam a superfície áspera
da força centrífuga
contrária à minha.
O ventre anelar
leva-me com ele.
Eu deixo-me ir.