Terça-feira, Julho 03, 2007

Desassossego

Tenho em mim toda a dor do universo.
Mácula de gerações infernais de fogo nos punhos
cravado a ferro e alicerces de metal pouco nobre.
Vejo um futuro envidraçado, vestido de negro
onde outrora linhas brancas envolviam sorrisos
de meninos crescidos à força, agarrados pela corda
de um pião em torno de um foco de luz baça.

Perdi, por entre fugas, o tempo que me deram.
Fiz dele sorte nula de uma alma que não dorme
desassossegada por sonhos perenes caídos
junto do seio gelado de horas demoradas.
Humanidade que não se compraz em esperas.
Prantos de voz lânguida trespassam o limite do som.
Adiantarei talvez os ponteiros para chegar mais cedo.

Tenho em mim toda a dor do Universo.
Tentarei fazê-la frutificar.

4 comentários:

astrophil disse...

É bom voltar a ler-te.

InesJesus disse...

Gostei bastante. É um desassossego inquietante, mas muito bem definido. Espero que o siga a calma...

Rain disse...

Adorei...
Correndo o risco de ser repetitiva, achei mais uma vez este poema inquietante e sublime, que deixa uma impressão (que não consigo definir) no nosso ser.
Gostei muito do final, que me deixa com certa esperança.

Continua!

Beijinhos

groze disse...

Inquietante e reconfortante, ao mesmo tempo. Sobretudo e sem dúvida dos melhores que tenho lido.

Um Abraço.