Gastei a sola dos sapatos que trago
nas vezes que percorri a estrada
de casa até aqui.
Sinto a agudeza do chão e as pedras
pela superfície enfraquecida
de um couro velho já fraco.
Mas chego, enfim
ao banco de cimento frio
como o que me toca os pés.
Agarro a aspereza do assento
coberto de folhas caídas de mim.
Torno, então, ao sítio
de onde não cheguei a sair
no dia anterior.
Pelas marcas na terra
do lado esquerdo do banco
dir-se-ia que dormi ali
mesmo quando em casa
me lembrava dos dedos
enterrados na areia fria.
Elevo às pálpebras
as mãos sujas
e o tempo condensa-se
em flashes nocturnos
de segundos e minutos
alongados paralelamente
sobre o chão.
Hoje ficarei por aqui.
Terça-feira, Abril 17, 2007
Paralelos
Por Sara F. às 14:46
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3 comentários:
Já sentia saudade dos teus textos. É bom ler-te de novo!
E que bom que é ver-te por aqui mais uma vez.
Citando um dos melhores escritores portugueses da actualidade, posso dizer que os textos me vão surgindo à medida que «o mundo [vai] entrando pela janela/de uma forma lógica e pausada».
Até breve, aqui ou noutro sítio.
Sim, é um grande escritor. E é bom vê-lo citado por um outro.
Mesmo que por vezes os nossos caminhos se não cruzem, aqui sei que poderei sempre encontrar-te. Um beijinho, até à próxima!
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